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A zona costeira: O domínio das interações
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A zona costeira: O domínio das interações.

A região da interface entre o continente e o mar é dominada por processos originados nas bacias de drenagem dos rios afluentes, por processos oceanográficos e atmosféricos. Atualmente, as regiões costeiras englobam menos de 20% da superfície do planeta. Entretanto, contêm mais de 45% da população humana; hospeda 75% das megalópoles com mais de 10 milhões de habitantes e produz cerca de 90% da pesca global. A região costeira se constitui em importante zona de produção de alimentos através da agropecuária, pesca e aqüicultura; é foco de desenvolvimento industrial e de transporte; fonte significativa de recursos minerais, incluindo petróleo e gás natural; principal destino turístico em todos os continentes; e abundante reservatório de biodiversidade e ecossistemas, dos quais depende o funcionamento do planeta.

Impacto de atividades em bacias de drenagem sobre a região costeira do Brasil

  A administração atual dos recursos hídricos tem sido fundamental para seu uso sustentado. A gestão por comitês de bacias tem levado a uma crescente sustentabilidade dos usos desses recursos. Entretanto, ainda não são abordados na esfera destes comitês, os impactos potenciais causados na zona costeira por atividades antrópicas localizadas em bacias de drenagem fora do litoral. Isto demonstra que o zoneamento e gestão de áreas costeiras ainda não atingiram o nível integrado desejável, o que resulta em conflitos de utilização dos seus recursos hídricos. Diversos processos ambientais e atividades socioeconômicas realizadas na zona costeira são indiretamente afetados pelas atividades e usos das bacias de drenagem, mesmo quando distantes do litoral e devem ser avaliados de forma integrada. A Figura 1 apresenta de forma esquemática a interligação das atividades presentes em bacias de drenagem e a qualidade ambiental da região costeira.

Um dos exemplos mais significativos ocorre em bacias de drenagem que recebem efluentes de diferentes atividades urbanas, industriais e agrícolas, e que possuem grande parte de seu fluxo controlado artificialmente, para atendimento da demanda de água para abastecimento e irrigação, como é o caso das regiões sudeste e nordeste do Brasil. Como resultado, as bacias costeiras formam um mosaico de condições ambientais que requer tratamento diferenciado no que diz respeito a seus usos potenciais, estratégias de exploração de recursos naturais, gerenciamento ambiental e preservação e conservação de seus recursos naturais. A tabela 1 resume os principais vetores, pressões e impactos na zona costeira de atividades geradas nas bacias de drenagem.

Um dos principais impactos gerados por atividades localizadas em bacias de drenagem que afetam a região costeira é o controle de fluxo por barragens para abastecimento de água. A construção de barragens e açudes resulta via de regra em uma diminuição significativa do fluxo fluvial a jusante, particularmente em períodos de estiagem, levando à concentração de substâncias presentes na água e ao desequilíbrio entre erosão e sedimentação ao longo do curso do rio e principalmente em sua região estuarina. Seguem-se como principais vetores a agricultura, particularmente a agricultura irrigada que se utiliza de grandes quantidades de insumos, a pecuária, incluindo a aqüicultura, a urbanização seguida ou não de desenvolvimento industrial e as alterações nos usos do solo, geralmente levadas a cabo após a substituição da vegetação nativa.

Além das pressões ambientais que resultam em alterações no ambiente físico, estas diferentes atividades antrópicas emitem para o meio ambiente diversas substâncias capazes de causar impactos negativos sobre a biodiversidade local, sobre a qualidade dos produtos explorados na região (e.g. pescado) e eventualmente expondo populações humanas à concentrações elevadas de poluentes, resultando a médio prazo em depreciação significativa do capital natural de uma dada região. Neste cenário, os estuários e as regiões costeiras em geral, atuam como corpo receptor final estas substâncias. Isto associado às mudanças hidrológicas e de uso dos solos, tornam estas regiões particularmente vulneráveis à atividades antrópicas instaladas em suas bacias de drenagem.

Vetores

Pressões

Impactos

Represamento de Rios

Retenção de sedimentos
Alteração no fluxo de nutrientes
Diminuição na capacidade de transporte fluvial
Diminuição da descarga de água doce em estuários e áreas costeiras

Erosão e diminuição do fluxo de sedimentos e de nutrientes
Alteração de cadeias alimentares
Diminuição da produtividade pesqueira
Sedimentação de estuários por areias marinhas

Agricultura

Diminuição da oferta de água., Aumento da erosão de solos e da emissão de poluentes.
Alteração no ciclo de nutrientes

Eutrofização
Salinização
Sedimentação de calhas
Contaminação de recursos pesqueiros e depreciação de produtos da aqüicultura

Pecuária

Aumento da carga de nutrientes e poluentes Aumento de “runoff' superficial por impermeabilização de solos por compactação?

Eutrofização
Contaminação de recursos pesqueiros
Depreciação de produtos da aqüicultura

Urbanização / indústrias

Aumento da carga de poluentes e DBO
Aumento nas taxas de denudação de solos

Eutrofização
Contaminação de recursos pesqueiros e depreciação de produtos da maricultura Exposição humana a poluentes

Desmatamento

Facilitação da erosão dos solos
Alteração no balanço de sedimentos

Sedimentação de calhas

A sensibilidade das regiões estuarinas e costeiras aos impactos ambientais, vai depender das características ecológicas e biogeoquímicas de cada região em particular, incluindo as próprias atividades humanas aí instaladas, isto é da capacidade suporte de determinada região às diferentes atividades antrópicas possíveis de serem aí instaladas. Assim, rios intermitentes deverão ser regidos por limites sazonalmente mais restritivos quanto à liberação de efluentes urbanos, industriais e agrícolas, por exemplo. Da mesma forma, bacias afetadas por despejos urbanos, industriais e/ou agrícolas, poderão se tornar inviáveis para o desenvolvimento turístico e/ou de aqüicultura. Torna-se necessário, portanto, o delineamento de indicadores consistentes da capacidade suporte de áreas estuarinas e costeiras, capazes de fornecer cenários confiáveis à implantação de futuras atividades antrópicas.

 

 

 

 

De um modo geral, excetuando atividades que alterem significativamente o ambiente físico, como construção de estradas, ancoradouros e portos e construção civil em geral, a capacidade suporte de uma dada região costeira será um reflexo da qualidade ambiental de suas águas, sedimentos e biota. O detrimento da qualidade do meio leva à processos de eutrofização e poluição, que resultam em significativa depreciação do capital natural de uma dada região, limitando seus futuros usos e dificultando o gerenciamento de seus recursos. Por outro lado a qualidade do meio ambiente será também função das especificidades hidrológicas e morfométricas dos estuários, particularmente do tempo de residência das águas e de sua capacidade de diluição.

Autor: L.D. Lacerda

 

Links de interesse:

 
www.institutimilenioestuarios.com.br
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